domingo, 1 de fevereiro de 2015

[RESENHA] A Culpa é das Estrelas


"A Culpa é das Estrelas" narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.


Título: A Culpa é das Estrelas; Autor: John Green; Editora: Intrínseca; Páginas: 286; Categoria: Ficção Americana.

A Culpa é das Estrelas, vulgarmente chamado pela sigla ACEDE, foi um dos livros mais populares entre os adolescentes entre os anos 2013-2014, tendo atraído uma grande massa de pessoas ao universo da leitura. Bem, talvez essa não seja bem uma resenha de caráter intelectual. Vamos chamar isso de relato pessoal.
Primeiramente, não era um livro que eu compraria. Antes de lê-lo, eu participava de um grupo de leitores no Facebook, onde a cada 10 segundos hiperbólicos alguém falava bem do livro. E, de fato, aquilo me consumia, pois o real ideal do grupo estava se voltando para um único livro. Foi aí que perguntei-me: o que raios há nesse livro que faz tanta gente gostar? 
Assim, busquei saber sobre o que o livro falava - não sou muito fã de sinopses -, e tudo o que me diziam era, basicamente "Ah, é um casal muito fofo, e os dois têm câncer". Assim, eu me tornava indignado por muitos gostarem de um livro assim. E, numa época em que era modinha o fato de quase tudo ter virado modinha, eu sentei-me e disse: Esse livro é uma piada, não passa de mais um romancezinho barato. Os livros do João Verde são puramente uma modinha. Certo, se eu tivesse o livro eu o leria, mas não gastaria dinheiro algum para comprá-lo.
Foi então que me apareceu, minha tão nobre e amada Duda Figueiredo, exibindo seu exemplar azulzinho diante de minhas pupilas (obrigado), e não tive outra alternativa senão pegá-lo para ler. Naquela altura, eu já havia recebido zilhões de spoilers sobre o livro, inclusive sobre o final, mas foi interessante a forma como me esqueci de todos eles. Adaptar-me ao ponto de vista de Hazel Grace não foi algo tão difícil como eu pensava que seria. Hazel é rápida, Hazel é ilária, Hazel vai direto ao ponto. E foi preciso repetir seu nome em três redundantes vezes num mesmo período para dizer que me apaixonei por Hazel, e pela figura que ela representa.
Sobre o primeiro capítulo, Hazel vai costumeiramente à mais uma sessão de seu grupo de apoio, onde poeticamente se opõe à problemática de morte de Augustus Watters que, apesar de estar ali, não possuía mais evidência alguma de câncer (estava apenas acompanhando um frequentador). 
No estacionamento do local de encontro, Hazel e Augustus levam uma conversa casual e tentadoramente engraçada. O rapaz começa a se tornar interessante para a protagonista, até que... não, não vou contar isso, pois pode perder a graça. 
Sim, graça. O que move o livro é literalmente a graça, a comicidade com que as duas personagens centrais (por acompanhadas de seu amigo Isaac) levam o livro a um ritmo acelerado. Cheio de problemáticas, de discussões sobre o verdadeiro significado da vida e sobre ser um peso na vida de outras pessoas. Falam sobre literatura e de coisas muito importantes para a sociedade global, mas que são tão chatas que deixamos de lado. Em A Culpa é das Estrelas tudo se torna, com o perdão de Colin Singleton, extremamente interessante e é impossível  ler o livro arrastando-o.
Com um enredo incrivelmente fantástico, o livro leva o leitor a questionar pequenas coisas da vida às quais não se dá muita importância. É um livro que não deixa pontas soltas, mas sim lições - e, sem dúvidas, encorajamentos. São usadas tantas figuras de linguagem que não saberia citar outra senão a metáfora presente do início ao fim no humor satírico das personagens.
Foi então que, do meio para o final do livro, recebi, novamente, o spoiler de seu desfecho. E aquilo me pegou de surpresa. Continuei lendo, continuei rindo e me perguntando sobre coisas que poderiam acontecer até o presunçoso final do livro, que seria fechado com chave de ouro negro, tentando não me afetar pelo que viria a seguir.
Eu tento, ao máximo, não dar spoilers nas resenhas, mas se alguém - que já estiver lendo a um tempo razoável - juntar os pontos, com certeza irá encontrá-lo no parágrafo a seguir.
Há uma estratégia de (des)preparo emocional próxima ao final do livro que, sem dúvidas, me arrancou muitas lágrimas. Sempre ao estilo poético e engraçado do autor, vários personagens se manifestam aleatoriamente, arrancando choro e risadas do leitor. É então que, no capítulo seguinte, tudo desfaz.
Toda a construção cômica-poética que o autor manteve perfeitamente ao longo de todo livro desmoronou. As palavras sensíveis de John Green já não traziam sensibilidade alguma. Olhar para o livro se tornou um misto de esperança e ódio. Não porque acontecera aquilo para o que ele já nos preparara, mas pela forma totalmente insensível, desinteressante e, perdoe se dessa forma ainda for um palavrão, desgraçada.
Assim, a atmosfera do livro acaba e tudo o que restam são mais alguns capítulos de destrinchamento e pesar, finalizando a obra que na verdade só queria mostrar o sentido da vida. Eu queria, muito, dar cinco estrelas, mas não posso.


Esta resenha está participando do Desafio das Mil Páginas. Status: 364/1000

3 comentários:

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